Ainda tinha uma pedra: contos do gerúndio

A coletânea transforma o gerúndio em princípio narrativo. Cada conto parte de uma microinstituição brasileira e de um conflito aparentemente pequeno — uma fila, uma reforma, um corredor, um arquivo, uma mensagem, uma mesa, um estacionamento, uma quarta-feira — para observar personagens presos não à catástrofe, mas à continuidade. O eixo comum é a percepção de que o meio não funciona como passagem neutra entre começo e fim: ele adquire regras, infraestrutura, hierarquias, vocabulário e mecanismos próprios de reprodução. Em vários contos, essa condição assume forma espacial concreta: a meia distância de uma estrada, o centro de uma mesa, um corredor que divide a casa, a faixa de um meio-fio ou a cadeira intermediária de uma repartição. O espaço sustenta o conflito e impede sua resolução simples. O humor nasce da exatidão com que rotinas, cargos informais e pequenos procedimentos são descritos; a melancolia aparece sem epifania ou redenção, na constatação de que viver é, em grande parte, administrar coisas que ainda estão acontecendo.
SINOPSE
Ainda tinha uma pedra: contos do gerúndio é uma coletânea sobre a permanência no meio. Seus personagens já caminharam o suficiente para não poder voltar ao início, mas ainda não chegaram a lugar nenhum que possa ser chamado de fim. Em vez de grandes tragédias, enfrentam pequenas estruturas persistentes: uma reforma que estaciona pela metade, um arquivo que nunca termina, um casamento que se separa sem deixar de funcionar, um meio-fio que sustenta uma guerra doméstica, uma fila que transforma o tempo já perdido em argumento para continuar esperando, uma mensagem corporativa que para antes de concluir a própria ofensa. O espaço físico frequentemente se sobrepõe ao existencial: corredores, mesas, estradas, repartições e apartamentos deixam de ser cenários e passam a funcionar como instituições que mantêm os personagens em suas posições. A coletânea explora o gerúndio como condição cotidiana — aquilo que está acontecendo, sendo feito, aguardando, processando, seguindo. O humor parte do reconhecimento e das hierarquias informais das microinstituições brasileiras, enquanto a melancolia surge da constatação de que a maior parte da vida não acontece nos marcos de começo ou encerramento, mas na manutenção quase invisível do que permanece em curso.
FICHA TÉCNICA
Autor(es): Rodolfo Francisco Soares Nunes
Série / coleção: Quotediano
Tipo: Contos
Ano: 2026
Edição: 1
Editora / selo: UICLAP
Formato(s): Impresso,eBook,PDF
Idioma(s): Português
Páginas: 391
ISBN impresso: 9798173077301
ISBN digital:
ISSN:
DOI: 10.5281/zenodo.22681356
ONDE ENCONTRAR
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Amazon Kindle: https://www.amazon.com.br/dp/B0HJGH2V94

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