Políticas Econômicas: instrumentos, conflitos e limites
Impostos, gastos públicos, taxa de juros e câmbio costumam aparecer no debate público como componentes de uma engenharia técnica cuja finalidade seria manter inflação baixa, contas equilibradas e crescimento estável. Essa representação esconde uma dimensão decisiva: toda política econômica distribui custos e benefícios. A elevação dos juros controla determinados preços, mas também encarece o crédito, amplia despesas financeiras do Estado e transfere renda aos detentores de ativos. Cortes de gastos afetam de forma desigual serviços públicos, investimentos e grupos sociais. Mudanças cambiais alteram preços internos, competitividade, salários reais e capacidade de importar. Políticas Econômicas: instrumentos, conflitos e limites explica essas relações sem reduzir o tema a fórmulas ou recomendações prontas. O volume começa pelas políticas fiscal, monetária e cambial, mostrando seus instrumentos e sua necessária articulação. Em seguida, apresenta sete tradições teóricas: a síntese neoclássica e as funções do Estado em Musgrave; a macroeconomia aberta de Mundell e Fleming; as metas de inflação e o Novo Consenso Macroeconômico; a Teoria Monetária Moderna; o pós keynesianismo; a economia política marxista; e o estruturalismo latino americano. A terceira parte desloca o olhar dos instrumentos para as relações de poder, discutindo conflito distributivo, captura estatal, dominância financeira, hierarquia monetária e austeridade como projeto de classe. O caso brasileiro organiza a aplicação histórica: Plano Real e gênese do tripé entre 1994 e 2002; ampliação da margem de política durante o ciclo de commodities; crise, austeridade e reconfiguração do tripé entre 2011 e 2022; e as tensões abertas pelo novo arcabouço fiscal a partir de 2023. Com 92 páginas e linguagem acessível, o livro oferece a estudantes, docentes, profissionais de políticas públicas e leitores gerais um mapa para compreender não apenas como a política econômica funciona, mas quem define seus objetivos, quem suporta seus custos e quais limites a inserção periférica impõe às escolhas nacionais.





































